Executivo com atuação em finanças e gestão estratégica, Valdoir Slapak destaca que liberar os recursos de um investimento por etapas, e não de uma só vez, reduz o risco da decisão, porque cada liberação passa a depender de resultados verificados, e não apenas de projeções feitas antes de o projeto começar.
Esse modelo é especialmente útil quando o retorno é incerto ou quando o caixa não comporta um desembolso integral. Em vez de apostar todo o capital de início, a empresa obtém informação a cada etapa e preserva a possibilidade de ajustar, adiar ou interromper o projeto antes que os custos se acumulem.
Dividindo o investimento em etapas com critérios claros
O primeiro passo é dividir o projeto em fases que possam ser avaliadas separadamente. Cada fase deve ter um objetivo definido, um valor máximo de recursos, um prazo e um conjunto de entregas verificáveis. Uma fase inicial pequena, voltada a testar as premissas mais incertas, costuma custar pouco e ensina muito sobre a viabilidade do restante.
Segundo Valdoir Slapak, os critérios para liberar a etapa seguinte devem ser definidos antes do início da primeira, porque critérios criados depois que o dinheiro já foi gasto tendem a ser adaptados aos resultados obtidos, o que tira do processo a objetividade que justificou o faseamento. Metas numéricas, como receita mínima, margem esperada ou custo por unidade, tornam a avaliação mais clara.
Também convém registrar quais premissas cada etapa pretende confirmar. Assim, ao final de cada fase, a decisão de seguir, ajustar ou parar se baseia em evidências e não em expectativas, e a equipe sabe de antemão o que precisa demonstrar. Isso também facilita a comunicação com quem financia ou aprova o projeto, que passa a enxergar o que será entregue e quando.
Ligando cada liberação ao planejamento financeiro e ao caixa
O faseamento só funciona se estiver conectado ao planejamento financeiro da empresa. Cada etapa precisa constar no orçamento com data prevista, valor e fonte de recursos, para que a liberação não concorra por espaço com outras prioridades no momento da decisão. Isso evita que o projeto dependa de negociações improvisadas a cada nova fase.
Sob a perspectiva de Valdoir Slapak, a empresa deve reservar no planejamento o valor total do projeto, mesmo que ele seja liberado aos poucos, porque comprometer recursos que não estão assegurados leva a interrupções no meio do caminho, justamente quando já houve investimento suficiente para tornar a desistência mais custosa. A parte ainda não liberada deve ser vista como uma opção, que pode ser usada ou redirecionada conforme os resultados.

A integração ao ciclo de budget e forecast permite comparar o previsto com o realizado em cada fase e atualizar as projeções de caixa, de modo que a liberação seguinte considere a posição financeira real da empresa.
Medindo resultados e decidindo seguir, ajustar ou parar
Ao fim de cada etapa, a empresa deve comparar o resultado obtido com o que foi definido no início. A análise financeira deve considerar não só a receita ou a economia gerada, mas também o custo efetivo, o prazo gasto e o aprendizado adquirido sobre o mercado, o processo ou a tecnologia envolvida. Um registro simples dessas lições torna as etapas seguintes mais precisas e serve de base para projetos futuros.
Valdoir Slapak orienta que a decisão ao fim de cada etapa seja registrada com as três alternativas possíveis: seguir, ajustar ou parar, porque a existência explícita da opção de parar reduz a tendência de continuar apenas porque já se investiu. Interromper um projeto que não cumpre os critérios também é um bom resultado, pois protege recursos que podem ser aplicados com mais retorno em outra frente.
Essa disciplina exige que a decisão seja tomada preferencialmente por quem não esteja envolvido diretamente na execução, ou ao menos com uma revisão independente, para reduzir o viés de quem está próximo do projeto.
Criando uma rotina de revisão para toda a carteira de projetos
Quando a empresa adota o faseamento, convém aplicá-lo ao conjunto de investimentos. Uma revisão trimestral, com todos os projetos em andamento e o estágio de cada um, revela onde os recursos estão e quanto ainda falta liberar. Com esse quadro, a diretoria compara projetos entre si e redireciona o capital para os que apresentam melhor desempenho. Esse monitoramento também revela quais projetos concentram mais recursos e se essa concentração está de acordo com as prioridades da empresa.
Como sinaliza Valdoir Slapak, o monitoramento regular deve incluir um indicador de risco por projeto, como o desvio de prazo e de custo em relação ao plano, porque sinais pequenos e repetidos costumam anteceder problemas maiores, e a rotina de revisão permite agir enquanto o valor exposto ainda é baixo.
Com etapas bem definidas, liberações ligadas ao caixa, decisões registradas e revisão regular, o investimento deixa de ser uma aposta única e passa a ser um processo de aprendizado controlado. A gestão de riscos ganha consistência, o controle financeiro se fortalece, e as decisões estratégicas passam a se apoiar em resultados verificados.
