Setor fecha primeiro semestre de 2026 com US$ 10,38 bilhões em saldo positivo, consolidando São Paulo como o segundo maior exportador agrícola do país
O agronegócio de São Paulo mostrou resiliência diante de um dos cenários mais desafiadores do comércio exterior brasileiro em anos recentes. Mesmo com o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais, o setor conseguiu manter um desempenho robusto ao longo do primeiro semestre de 2026, reforçando seu peso na economia estadual.
O agronegócio paulista encerrou o primeiro semestre de 2026 com superávit de US$ 10,38 bilhões na balança comercial. O resultado foi impulsionado por exportações de US$ 13,34 bilhões frente a importações de apenas US$ 2,96 bilhões, consolidando o setor como um dos principais motores da economia do Estado de São Paulo.
A posição de São Paulo no ranking nacional
Apesar do desempenho expressivo, o estado ainda ocupa a segunda posição entre os grandes exportadores agrícolas do país, atrás apenas do estado que lidera essa categoria específica. São Paulo manteve a segunda posição no ranking nacional de exportações do agronegócio, com participação de 15,3% no total brasileiro, um resultado que reforça a relevância do campo paulista mesmo diante da concorrência de outros estados agrícolas de peso.
Os números do primeiro semestre também revelam o quanto o setor agropecuário influencia o comércio exterior do estado como um todo. No período, o agro respondeu por 37,9% das exportações paulistas, enquanto as importações do setor representaram apenas 6,8% do total estadual, uma diferença que ajuda a explicar o superávit consistente registrado pelo agronegócio ao longo dos primeiros meses do ano.
Esse desempenho positivo já vinha se consolidando desde os primeiros meses de 2026, antes mesmo da divulgação dos resultados semestrais completos. Em janeiro, o setor registrou superávit de US$ 1,31 bilhão, resultado de US$ 1,84 bilhão em exportações frente a US$ 530 milhões em importações, posicionando São Paulo como o maior exportador do agro brasileiro naquele mês específico, com 17,1% de todos os embarques do setor no país.
A diversificação de mercados internacionais também tem sido um fator relevante para sustentar esse desempenho positivo diante das tensões comerciais globais. A China segue sendo o principal destino das exportações agrícolas de São Paulo, com participação relevante na compra de produtos florestais, carnes, fibras têxteis e itens do complexo soja, seguida pela União Europeia e pelos Estados Unidos, que respondem por parcelas menores do total exportado pelo setor.
O impacto do tarifaço na indústria de transformação
Enquanto o agronegócio conseguiu se adaptar ao novo cenário comercial, outros setores da economia paulista sentiram de forma mais direta o efeito das tarifas americanas. Nos cinco meses de vigência do tarifaço, a indústria de transformação paulista deixou de exportar US$ 680 milhões para os Estados Unidos, uma queda de 11,8%, sendo parcialmente compensada pelo aumento das vendas para a China e outros mercados alternativos.
Com o agronegócio mantendo trajetória de crescimento mesmo diante de um cenário internacional mais instável, a expectativa é que o setor continue sendo um dos pilares mais estáveis da economia paulista ao longo do segundo semestre de 2026. Para os demais setores industriais afetados pelas tarifas americanas, o desafio segue sendo diversificar mercados e reduzir a dependência do comércio com os Estados Unidos, seguindo a estratégia que já vem mostrando resultado dentro do próprio agronegócio.
https://feedfood.com.br/superavit-do-agro-paulista-chega-a-us-1038-bilhoes-no-primeiro-semestre-de-2026-com-destaque-para-carnes/
https://www.agenciasp.sp.gov.br/sao-paulo-lidera-exportacoes-do-agro-brasileiro-e-abre-2026-com-superavit-de-us-131-bilhao/
https://smabc.org.br/wp-content/uploads/2026/04/NT-01_2026_Balanca_Comercial_EUA.pdf
