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A um ano da eleição, Boulos e Nunes protagonizam corrida eleitoral em SP e deixam pouco espaço para 3ª via

Aliança com PT fortalece posição do psolista; atual prefeito terá desafio de abraçar sem constrangimento o bolsonarismo

O principal deve ser o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB), que buscará a reeleição. Além dele, a deputada federal Tabata Amaral (PSB) tem dado entrevistas como candidata, enquanto o também deputado Kim Kataguiri (União) venceu as prévias do Movimento Brasil Livre, mas ainda terá que encarer a disputa interna em seu partido.

Outros nomes, como o vereador Fernando Holiday (PL) e o ex-governador de São Paulo Rodrigo Garcia (PSDB), são especulados na corrida eleitoral.

O que parece certo é que o PT não terá candidato à Prefeitura paulistana pela primeira vez desde a redemocratização do país. Há um acordo dos petistas para que Boulos lidere a frente de esquerda na eleição.

Assim sendo, Boulos deve herdar o eleitor petista, número relevante se considerarmos a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022. Na época, na cidade de São Paulo, o petista venceu seu adversário, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por 53,54% a 46,46% no segundo turno, margem mais confortável que o resultado nacional, que terminou em 50,90% a 49,10%.

Do outro lado, Nunes flerta com o bolsonarismo, ao passo que tenta esconder o ex-presidente em seu precoce palanque, construído às custas de ações que chamam a atenção da opinião pública e revelam a intenção do atual prefeito em antecipar sua campanha.

:: 7 em cada 10 eleitores de SP não votariam em candidato indicado por Bolsonaro ::

Bolsonaro ainda não oficializou seu apoio a Nunes, mas já garantiu que seus filhos não serão candidatos no próximo ano, o que tira o deputado federal Eduardo Bolsonaro, sonho do PL, do caminho. O deputado federal Ricardo Salles (PL) corre por fora e sua eventual candidatura não atrai a simpatia dos bolsonaristas.

Tabata Amaral parece insistir no caminho da terceira via, método que falhou em 2022. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, a deputada federal afirmou que “não vai ser o Lula nem o Bolsonaro o próximo prefeito de São Paulo”.

Confronto definido

A mais recente pesquisa sobre as eleições para a Prefeitura, divulgada no dia 27 de setembro, pela Paraná Pesquisa, mostra Boulos com 35,1% em primeiro, seguido por Nunes (29%), Amaral (7,5%) e Kataguiri (5,3%).

Antes, em 31 de agosto, o Datafolha havia divulgado uma pesquisa com números mais confortáveis para Boulos, que aparecia em primeiro com 32%. Nunes (24%), Amaral (11%) e Kataguiri (8%) completavam a lista.

Vera Lucia Chaia, cientista política e professora do Departamento de Sociologia e Política da PUC – SP, acredita que “o confronto deve ser entre Boulos e o Ricardo Nunes. Até lá, veremos muitas mudanças e a costura de uma série de apoios. Boulos é um nome conhecido, concorreu em várias eleições, foi o candidato a deputado mais votado de São Paulo e isso não é pouca coisa”.

“O Rodrigo Garcia é um nome fraco, ele foi forte no período que era governador, mas perdeu as eleições, justamente por conta da falta de projeção. O Holiday e o Kataguiri não tem expressão política alguma”, sentencia Chaia.

A cientista política Mayra Goulart traçou um perfil dos principais adversários de Boulos. “A Tabata é um nome interessante, mas sem experiência e sem capital político que um candidato deveria ter. Com relação ao Ricardo Nunes, ele está sendo muito criticado, vai mal nas pesquisas e está cercado de escândalos de pesquisas. O Brasil de Fato, inclusive, revelou a relação de um compadre do Nunes que tem favorecimento em contratos na Prefeitura.”

Ainda de acordo com Goulart, o psolista pode ter problemas em um eventual segundo turno. “Por conta da fragmentação que existe na direita e na extrema-direita, que devem se unir no segundo turno. Por outro lado, o Boulos tem o apoio do PT, que tem uma força expressiva na capital.”

“Eu acredito que não existe espaço para uma terceira via, há uma resiliência do bolsonarismo e os termos dessa polarização, à direita e à esquerda, são muito bem definidos. Uma candidatura de centro não consegue se afastar suficiente desses dois termos. No caso da frente que é liderada pelo presidente Lula, ela é mais moderada, chegando até as franjas do centro. Deixa pouco espaço para a movimentação da direita”, encerra Goulart.

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